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# Laudo descarta suicídio e aponta que policial Gisele foi morta em SP
- URL: https://intsoft.com.br/laudo-descarta-suicidio-e-aponta-que-policial-gisele-foi-morta-em-sp/
- Published: 2026-09-04T20:44:33.000Z
- Updated: 2026-09-04T20:44:33.000Z
- Description: Perícia indica ação de segunda pessoa; réu depõe dia 8
- Author: Redação
- Tags: Polícia, #Import 2026-09-10 20:51

Laudo complementar assinado pelo Instituto de Criminalística de São Paulo concluiu que a versão de suicídio da soldado Gisele Alves Santana, da Polícia Militar, não se sustenta diante das evidências materiais do caso. O documento, de terça-feira (1º), afirma que os padrões das manchas de sangue e os demais elementos encontrados no local contradizem a possibilidade de a policial ter tirado a própria vida.

A perícia registra ainda indícios de participação de uma segunda pessoa na morte. Segundo o texto, essa hipótese “resistiu ao confronto com a totalidade dos elementos objetivos examinados”, sem que fosse identificado qualquer vestígio capaz de contradizê-la.

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que era companheiro de Gisele, responde como réu por feminicídio. Preso em 18 de março, em São José dos Campos (SP), ele permanece detido no Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo.

Gisele foi encontrada morta em 18 de fevereiro, com um disparo na cabeça, no apartamento onde vivia com o oficial. Ele estava no imóvel, acionou o socorro e comunicou a ocorrência como suicídio — registro depois alterado para morte suspeita. A família da militar contestou essa versão desde o início.

Exames anteriores do Instituto Médico Legal já haviam identificado no corpo da vítima lesões na face e no pescoço compatíveis com pressão de dedos e marcas de unha. Uma vizinha declarou em depoimento ter ouvido um disparo às 7h28; o Copom só foi acionado pelo tenente-coronel às 7h57, quase meia hora depois.

O advogado da família, José Miguel Silva Junior, disse à Agência Brasil que o resultado não surpreende, porque os laudos anteriores já afastavam a tese de suicídio. “A negativa do acusado está isolada nos autos”, afirmou, ao comentar os questionamentos apresentados pela defesa.

Silva Junior citou ainda a fotografia feita pelos socorristas, que mostra a arma na mão da vítima — situação que ele considera incomum em suicídios — e a limpeza realizada no apartamento por três policiais mulheres horas após a ocorrência, confirmada em depoimentos. Uma nova audiência do processo está marcada para terça-feira (8), com previsão de interrogatório do réu.