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Cultura & Lazer

Biografia de Helena Theodoro é lançada nesta quarta-feira no Rio

Obra homenageia trajetória da pioneira na filosofia

Biografia de Helena Theodoro é lançada nesta quarta-feira no Rio
Foto: Agência Brasil

Rio de Janeiro, RJ — A Biblioteca Parque Estadual, localizada no centro da capital fluminense, sedia nesta quarta-feira (2) o lançamento da biografia "Dona Helena Theodoro — Uma Tia Negra da Filosofia Popular Brasileira". A obra literária promove o encontro marcante entre a consagrada intelectual e a jornalista Carla Rocha, sua ex-aluna e autora do texto, que compartilham uma história mútua de admiração e cooperação acadêmica.

O livro é fruto de uma dissertação de mestrado desenvolvida por Carla no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A narrativa joga luz sobre o conceito das chamadas "Tias Negras", figuras femininas fundamentais no acolhimento comunitário e na preservação da memória de suas respectivas populações, papel que Helena desempenha com maestria ao longo de suas mais de oito décadas de vida.

Helena Theodoro, que em 1985 se tornou a primeira mulher negra a obter o título de doutorado em filosofia africana no país, destaca a importância da ancestralidade em sua atuação. "No mundo africano é o Bantu [princípio ancestral africano], ‘eu sou, porque nós somos. Eu existo, logo penso, e não penso, logo existo’. Nós temos ancestralidade", declarou a professora, reforçando a base de seu trabalho voltado à inclusão dos saberes afro-brasileiros e indígenas na academia.

A homenagem literária foi uma surpresa para a própria biografada, que foi convidada a participar da banca examinadora sem saber que ela mesma era o objeto de estudo da tese de Carla Rocha. "Eu não sabia o que ela estava fazendo como tema da tese, mas sabia que estava trabalhando na linha de filosofia popular brasileira, que é o que eu trato no sentido de filosofias africanas e indígena estarem na universidade na medida em que os povos originários e a comunidade negra são muito anteriores ao pensamento europeu", relembrou Helena.

Ao receber o trabalho acadêmico finalizado, a emoção tomou conta da professora de 83 anos, que segue ativa na militância e na docência. "Quando chego à banca e ele me entrega a tese, começo a chorar. ‘Como você faz isso comigo?’. Foi assim encantador. Muita emoção", confessou a intelectual, cuja rotina intensa de palestras e aulas pelo Brasil impressiona seus colegas e orientandos.

A trajetória de Helena também foi marcada por superações profundas, como a perda de seu filho de quatro anos em 1981, fruto de seu relacionamento com o escritor e compositor Nei Lopes. Na ocasião, o suporte da comunidade tradicional foi decisivo para sua reabilitação. "Eu fui muito amparada pelo Ilê Axé Opô Afonjá [ terreiro de candomblé], pelo mestre Didi e todo o pessoal. Acho que se não tivesse esse tipo de apoio, não teria conseguido superar. Me fizeram, com 15 dias, voltar para a escola e dar aula", recordou.

O evento de lançamento ocorre das 14h às 17h e conta com debates enriquecedores sobre a produção literária e a filosofia popular. Além das protagonistas, o encontro reúne os docentes e orientadores acadêmicos Rafael Haddock-Lobo, Marcelo José Derzi Moraes e Mariane Biteti, consolidando um espaço de reflexão sobre a diversidade e a representatividade negra na literatura nacional.