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Câmara debate urgência no diagnóstico de esclerose múltipla pelo SUS

Proposta em análise fixa prazo de 180 dias para exames

Câmara debate urgência no diagnóstico de esclerose múltipla pelo SUS
Foto: Agência Câmara de Notícias

Em Brasília, especialistas e defensores dos direitos dos pacientes cobraram, nesta terça-feira (1º), maior celeridade na identificação e no início do tratamento da esclerose múltipla no Sistema Único de Saúde (SUS). Durante audiência pública na Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, os participantes apontaram que a confirmação da patologia autoimune pode demorar anos, agravando as sequelas físicas dos assistidos.

Atualmente, estima-se que cerca de 40 mil brasileiros convivam com essa condição, caracterizada pelo ataque do sistema imunológico às próprias células do corpo, afetando a visão, o equilíbrio e a mobilidade. Para obter o diagnóstico preciso, o paciente depende de uma série de procedimentos complexos, como ressonâncias magnéticas do crânio e da coluna, além da análise laboratorial do líquor.

Diante desse cenário, a aprovação do Projeto de Lei 4231/21 é apontada como uma alternativa viável para acelerar os trâmites. A proposta estabelece o limite de até 180 dias para a consulta com especialistas a partir da suspeita clínica. "Hoje, um paciente do SUS leva dois anos e meio para conseguir a confirmação do diagnóstico. Depois disso, espera mais seis meses para receber o medicamento de alto custo e iniciar o tratamento", criticou Sumaya Afif, representante da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem).

O neurologista Felipe von Glehn, da Academia Brasileira de Neurologia, explicou que o gargalo ocorre principalmente na transição entre a atenção primária e o encaminhamento ao especialista. Segundo o médico, a falta de exames específicos na rede pública, como a pesquisa de bandas oligoclonais — essencial para detectar inflamações no sistema nervoso central —, retarda ainda mais a detecção precoce.

A falta de agilidade gera impactos severos e irreversíveis na qualidade de vida de quem aguarda o veredito médico. Ana Paula Moraes, presidente da Associação de Pessoas com Esclerose Múltipla e Doenças Raras do Distrito Federal (Apemigos), relatou que seus primeiros sintomas surgiram aos 8 anos, mas a confirmação só ocorreu aos 33. "Por causa da demora, acumulei sequelas que não são visíveis. Ainda lutamos contra a invisibilidade da doença", desabafou.

Além da assistência médica imediata, a deputada Erika Kokay (PT-DF), autora do requerimento para o debate, ressaltou a necessidade de regulamentar a avaliação biopsicossocial prevista na Lei Brasileira de Inclusão. O laudo é fundamental para que os pacientes comprovem a condição de deficiência e garantam o acesso a direitos sociais e previdenciários, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).