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Cisjordânia sofre corte de 50% na ajuda alimentar da ONU por falta de verbas

Programa Alimentar Mundial reduz assistência a 200 mil pessoas vulneráveis na região

Cisjordânia sofre corte de 50% na ajuda alimentar da ONU por falta de verbas
Com informações da ONU News

O Programa Alimentar Mundial (WFP) anunciou, nesta terça-feira, em Genebra, um corte drástico na assistência humanitária prestada na Cisjordânia. A partir de setembro, o número de beneficiários atendidos pela agência da ONU será reduzido pela metade, passando de 400 mil para 200 mil pessoas, devido à escassez crítica de recursos financeiros.

A medida ocorre em um cenário de agravamento da crise humanitária, onde a demanda por auxílio alimentar mais do que dobrou desde 2023, ano que marcou o início do conflito armado na região. Atualmente, estima-se que cerca de 900 mil pessoas vivam em situação de insegurança alimentar severa na Cisjordânia, enfrentando dificuldades para manter uma dieta saudável.

Segundo Shaun Hughes, diretor do WFP nos territórios palestinos, o aumento da violência por parte de colonos e a destruição dos meios de subsistência locais têm empurrado milhares de famílias para a pobreza extrema. Dados da agência apontam que 76% das famílias na região registraram uma queda acentuada em seus rendimentos nos últimos meses.

O impacto econômico é severo, com os preços de combustíveis e alimentos atingindo patamares recordes no Oriente Médio. Relatórios indicam que um terço das famílias palestinas não consegue acessar uma alimentação nutritiva, sendo obrigadas a vender bens ou reduzir drasticamente a quantidade e a qualidade das refeições diárias para sobreviver.

O cenário de crise não se limita à Cisjordânia, atingindo também as operações em Gaza, onde a agência já havia cortado em 40% o valor monetário da assistência para 375 mil pessoas em julho. O WFP alertou que, sem um aporte imediato de US$ 386 milhões nos próximos seis meses, novos cortes serão inevitáveis para os 2 milhões de necessitados na região.

"Famílias que outrora prosperavam e retiravam o seu sustento da terra já não conseguem comprar alimentos suficientes para abastecer os seus lares", lamentou Shaun Hughes. O representante da ONU fez um apelo urgente à comunidade internacional para que intensifique o apoio financeiro e evite o colapso total da assistência humanitária aos palestinos.