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Conflitos no Afeganistão deixam rastro de 117 mil vítimas civis

Relatório da ONU revela traumas e crise social extrema

Conflitos no Afeganistão deixam rastro de 117 mil vítimas civis
Com informações da ONU News

Um relatório inédito da Missão das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) expõe o devastador saldo humano de duas décadas de guerra no país. O levantamento contabiliza mais de 40 mil mortes e 77 mil feridos entre a população civil, evidenciando um cenário de destruição que precede a ascensão do Talibã ao poder em 2021.

O documento, intitulado “Esquecidos: Os Direitos das Vítimas Após Décadas de Conflito Armado no Afeganistão”, baseia-se em depoimentos de 195 sobreviventes. Os dados revelam que 95% dos entrevistados enfrentam graves problemas de saúde mental, incluindo depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático.

Além das cicatrizes psicológicas, a crise física é alarmante. Mais da metade das vítimas convive com deficiências permanentes ou dores crônicas, sem acesso a suporte médico adequado. Georgette Gagnon, representante especial da ONU, destacou que o trauma coletivo molda o cotidiano dos afegãos, mantendo a dor do passado como um obstáculo constante ao presente.

A situação econômica agrava o drama humanitário. Famílias inteiras estão em situação de miséria, impossibilitadas de reconstruir lares ou garantir a subsistência básica. O impacto é ainda mais severo para mulheres viúvas, que sofrem com restrições impostas pelo regime vigente, as quais impedem sua inserção no mercado de trabalho.

A busca por reparação estatal tornou-se uma via inalcançável para a maioria. Cerca de 55% dos afetados desistiram de procurar justiça por medo de represálias ou descrédito nas instituições. Entre os que tentaram algum auxílio, 60% relataram ter sido ignorados devido à burocracia e à discriminação sistêmica.

As prioridades apontadas pelas vítimas concentram-se em três pilares fundamentais: assistência financeira imediata, mecanismos de justiça para o trauma e salvaguardas contra novos episódios de violência. A ONU reforça que a estabilidade futura do país depende de colocar as necessidades dessas pessoas no centro das políticas públicas.

O relatório finaliza com uma convocação urgente à comunidade internacional e às autoridades locais. A recomendação é clara: é imperativo que programas de assistência social sejam implementados e que o auxílio humanitário seja direcionado com rigor para mitigar a crise humanitária que assola o território afegão.