A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu, nesta segunda-feira (31), Thyago Jorge Machado, investigado por plantar um quilo de entorpecentes no carro de sua ex-companheira. O objetivo do suspeito era forjar um flagrante e levar a mulher à prisão, motivado pela incapacidade de aceitar o fim do relacionamento. A detenção ocorreu no bairro Jardim Itália, em Cuiabá, após uma operação que contou com o apoio aéreo do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).
O delegado André Rigonato, da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), classificou a conduta do suspeito como uma forma de violência extrema. Durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (1°), o delegado afirmou que a ação se equipara ao feminicídio. “A ideia desse suspeito seria matar em vida essa vítima. Se você faz uma falsa denúncia e deixa essa mulher, sob uma pena de 5 a 15 anos, presa injustamente, a minha ideia nada mais é do que matar essa vítima em vida”, declarou Rigonato.
As investigações apontam que a denúncia falsa foi recebida pela Diretoria de Inteligência no último domingo (30). Após trabalho integrado, os agentes da Denarc identificaram que o entorpecente foi inserido no automóvel da vítima pelo próprio suspeito. Ao notar a aproximação policial em seu condomínio, Thyago tentou fugir, escondendo-se em meio à vegetação de uma residência próxima, mas acabou capturado pela equipe.
O histórico criminal de Thyago é extenso. Ex-perito da Politec, ele foi exonerado em 2022 por exercer atividades privadas durante licença remunerada. Em 2025, foi alvo da Operação Mente Perita, que apurou um esquema de fraude em laudos e solicitação de propina avaliada em R$ 2 milhões para manipular disputas judiciais de terras. Naquela ocasião, a polícia apreendeu em sua casa uma arma de fogo, munições e uma máquina de contar dinheiro.
O caso ganha contornos dramáticos pelo histórico familiar do acusado. Thyago é irmão da advogada Thays Machado, vítima de feminicídio em 2023, executada pelo ex-companheiro Carlinhos Bezerra. O agressor, que não aceitava o término, foi condenado a 36 anos de prisão pelo duplo homicídio que vitimou Thays e seu namorado, Willian César Moreno.
A defesa de Thyago já havia tentado anular provas de investigações anteriores no Superior Tribunal de Justiça (STJ), porém, os recursos foram negados pela Quinta Turma. O inquérito atual segue em trâmite na Justiça mato-grossense, enquanto o suspeito permanece à disposição das autoridades para responder pelo crime de tráfico de drogas e denunciação caluniosa.