Um levantamento inédito realizado pela HSR Health em parceria com a Roche Farma, divulgado pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), aponta um cenário preocupante para os pacientes brasileiros. Cerca de um quarto das pessoas com a condição levam mais de cinco anos para obter um diagnóstico preciso, um atraso que compromete diretamente a eficácia do tratamento e favorece a progressão da enfermidade.
A pesquisa, que ouviu 368 pacientes em tratamento, revelou que 56,8% dos entrevistados receberam diagnósticos equivocados antes da confirmação da esclerose múltipla. Em casos mais graves, 14,1% dos pacientes esperaram uma década ou mais entre o surgimento dos primeiros sintomas e o início da assistência médica adequada.
O neurologista Rodrigo Kleinpaul, do Hospital das Clínicas da UFMG, explica que a agilidade é fundamental para preservar a reserva funcional do cérebro e da medula. "Chega o momento em que esse dano vai diminuindo a reserva que o paciente tem. Começa a progressão de incapacidade e isso pode levar o paciente a ficar com incapacidade definitiva", alerta o especialista.
Entre as principais barreiras apontadas pelos participantes estão a dificuldade de acesso a exames de alto custo, como a ressonância magnética, e a confusão inicial dos sintomas com outras patologias. Não é raro que queixas comuns, como formigamento ou dormência, sejam erroneamente atribuídas a quadros de ansiedade ou problemas ortopédicos, postergando a intervenção neurológica necessária.
A esclerose múltipla afeta cerca de 40 mil brasileiros, atingindo majoritariamente mulheres jovens entre 20 e 40 anos. Por ser uma doença inflamatória e autoimune que ataca a mielina — estrutura que protege as fibras nervosas —, ela impacta severamente a mobilidade, a autonomia e a vida profissional dos pacientes, tornando o diagnóstico precoce o fator determinante para a qualidade de vida a longo prazo.