O governo dos Estados Unidos detalhou, na última segunda-feira (31), um acordo estratégico que assegura o controle de 21% das reservas de petróleo da Venezuela pelos próximos 100 anos. A operação será conduzida pela North American Blue Energy Partners (Nabep), uma companhia privada que possui 35% de suas ações sob a tutela do Escritório de Capital Estratégico do Departamento de Guerra norte-americano.
Conforme o comunicado oficial da Casa Branca, a Nabep garantirá ao Departamento de Estado dos EUA a prioridade na compra de 20% da produção total, a preço de custo, além de assegurar o direito de preferência sobre o restante do volume extraído. O governo estadunidense também detém poder de veto sobre decisões administrativas da empresa, consolidando uma influência direta na gestão dos ativos energéticos venezuelanos.
A parceria ocorre em um cenário de instabilidade política, marcado pelo sequestro de Nicolás Maduro em janeiro deste ano. Especialistas, como a pesquisadora Thaís Batista, do Observatório Político Sul-Americano (OPSA), classificam a movimentação como “neocolonial”, destacando que a alteração na Lei do Petróleo venezuelana — que agora permite a exploração privada — foi viabilizada sob pressão e ameaça de força estrangeira.
O pacto, assinado pelos secretários Pete Hegseth e Marco Rubio, abrange 17 campos de petróleo, estimados em 65 bilhões de barris. Enquanto a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, defende o acordo como uma via diplomática para atrair investimentos de US$ 100 bilhões, críticos apontam que os valores de impostos previstos são historicamente baixos e questionam a falta de licitações transparentes.
A gestão de Donald Trump busca, com essa medida, estabilizar o abastecimento interno e conter a alta dos combustíveis antes das eleições legislativas. Atualmente, a Nabep, que mantém filiais em Caracas, Maracaibo e Lechería sob o comando de Alejandro Betancourt, afirma ter ampliado a produção local de 18 mil para 200 mil barris diários, projetando números ainda maiores para os próximos anos.