A segunda edição do festival Favela Gourmet tem início nesta sexta-feira (4), movimentando a cena gastronômica das comunidades da Rocinha e do Vidigal, na zona sul do Rio de Janeiro. Com a participação de 40 bares, restaurantes e lanchonetes, o evento busca atrair cerca de 5 mil visitantes até o dia 11 de setembro, consolidando-se como uma vitrine para o empreendedorismo local.
O projeto, idealizado pelo empreendedor Renan Monteiro dentro da iniciativa Na Favela Turismo, apresentou um crescimento expressivo em comparação ao ano anterior, quando contou com 14 estabelecimentos. Monteiro destaca que a expansão visa incluir negócios de menor porte, oferecendo visibilidade a empreendedores que possuem grande potencial criativo, mas que muitas vezes carecem de oportunidades de mercado.
A estrutura de premiação foi reformulada para contemplar sete categorias, abrangendo pratos principais, bebidas, revelações e, pela primeira vez, uma valorização específica para guias turísticos. "A gente está trazendo até negócios menores da favela, para poder incluir mais gente e dar oportunidade para esse pessoal que tem empreendimentos menores, mas com muito potencial também", afirmou o organizador.
Para fomentar o setor de serviços, os guias serão premiados com base no volume de turistas conduzidos aos locais e na diversidade de estabelecimentos visitados durante o roteiro gastronômico. A votação será realizada via QR Code, e a cerimônia de entrega dos prêmios, que somam valores entre R$ 500 e R$ 2 mil, está agendada para o encerramento do festival.
O impacto econômico do festival é um dos pilares da iniciativa. Na edição de 2025, os participantes registraram um aumento de 35% no movimento, além de um crescimento de 70% no engajamento digital. Para garantir a sustentabilidade desses negócios, o Sebrae Rio oferece consultoria técnica aos participantes, auxiliando na gestão e na ampliação da capacidade produtiva.
Moradores como Verônica Batista de Oliveira, conhecida como Flor no Vidigal, aproveitam o evento para expandir seus negócios. Premiada na edição anterior com pratos típicos, ela agora aposta em novas criações em sua cafeteria. O objetivo final, segundo a organização, é transformar a gastronomia em um motor de desenvolvimento que mude a percepção externa sobre a realidade das favelas cariocas.