O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu, nesta terça-feira (1º), um encontro estratégico com representantes da sociedade civil para debater o impacto das casas de apostas eletrônicas, as chamadas bets, no Brasil. O chefe do Executivo sinalizou que uma resolução sobre o setor deve ser anunciada ainda nesta semana, após a conclusão das consultas com diversos segmentos.
A reunião, conduzida pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, contou com a presença de diversos ministros, incluindo Alexandre Padilha (Saúde) e representantes das pastas de Justiça, Esporte e Comunicação. O objetivo foi coletar diagnósticos sobre os efeitos das apostas na economia, na saúde pública e na estrutura das famílias brasileiras.
Durante o diálogo, o governo recebeu relatos sobre o potencial destrutivo das plataformas, incluindo casos de endividamento familiar e inadimplência que prejudicam o comércio. Entre as sugestões apresentadas ao presidente, destacou-se a criação de uma secretaria extraordinária focada no combate às apostas ilegais, visando mitigar os danos sociais identificados.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou dados alarmantes sobre a demanda por tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS). O atendimento a pessoas dependentes de apostas saltou de 600 para 100 mil consultas mensais. Padilha ressaltou que, embora o público masculino seja o mais numeroso nas apostas, as mulheres representam 55% dos pacientes que buscam ajuda terapêutica via SUS Digital.
O impacto financeiro é um dos pontos centrais da preocupação governamental. Segundo levantamentos, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets entre outubro de 2024 e março de 2026, com uma média mensal de R$ 4,7 bilhões. O volume total de transações via Pix movimentadas pelas plataformas no período atingiu a marca de R$ 351 bilhões.
Lula classificou o cenário atual como um "mal para a sociedade" e não descartou a adoção de medidas drásticas. No entanto, o presidente reforçou que, na condução do Estado, precisa equilibrar sua posição pessoal com a responsabilidade de manter a estabilidade política e econômica do país antes de oficializar a decisão final.
Além da esfera nacional, o Brasil integra um grupo de países, ao lado de Espanha e Canadá, que lidera uma proposta de resolução sobre a regulação das apostas junto à Organização Mundial da Saúde (OMS). A medida busca padronizar o enfrentamento ao vício em jogos de azar em âmbito global.