Lucas do Rio Verde sediou, ao longo desta semana, o Seminário Municipal de Educação, que reuniu mais de 250 profissionais alfabetizadores da rede pública de ensino. O evento, promovido pela Secretaria de Educação por meio do Centro de Formação, ocorreu no Auditório dos Pioneiros com o propósito de debater e aprimorar as metodologias pedagógicas voltadas ao ensino da leitura e escrita no município.
A iniciativa busca enfrentar os desafios remanescentes no processo de aprendizagem dos estudantes locais. De acordo com a secretária de Educação, Elaine Lovatel, embora a cidade registre avanços significativos no letramento na idade recomendada, ainda há alunos que enfrentam barreiras nessa etapa. “Nós entendemos que Lucas do Rio Verde está avançando na alfabetização na idade certa, mas ainda temos alunos que estão tendo um pouco de dificuldade para aprender a ler e a escrever. Então, pensamos nesses dois encontros para fazer com que os nossos professores aprendam novas metodologias e fortaleçam aquelas que eles já utilizam em sala de aula, para garantir o que é de direito do aluno: a alfabetização”, pontuou a gestora.
A formação foi conduzida por Sandra Puliezi, doutora em Psicologia da Educação, que apresentou aos participantes as conexões entre a neurociência e os processos cognitivos de aprendizagem. Sob o tema “A alfabetização baseada em evidências: como o cérebro aprende a ler”, a especialista detalhou o funcionamento cerebral durante a leitura e destacou a necessidade de basear a prática docente em evidências científicas atualizadas.
Outro ponto central das atividades foi o desenvolvimento da consciência fonológica, capacidade que permite aos estudantes reconhecer e manipular os diferentes sons da fala. A palestrante ressaltou que esse estímulo prévio é determinante para o sucesso escolar. “Crianças que desenvolvem consciência fonológica têm uma capacidade de leitura muito maior. Então, se os professores colocarem esses conhecimentos em prática, nós teremos crianças lendo cada vez melhor e mais rápido e, consequentemente, compreendendo mais o que leem”, explicou Sandra Puliezi.
No segundo dia de capacitação, o foco se voltou para o princípio alfabético e as dinâmicas lúdicas para o ensino fonético. Os educadores participaram de oficinas práticas voltadas à fusão de fonemas para a composição de sílabas e palavras, utilizando brincadeiras e jogos como ferramentas de mediação pedagógica em sala de aula.
O impacto positivo das atividades foi destacado pelos docentes presentes. Daiane de Almeida, pedagoga no Centro de Educação Infantil (CEI) Pequeno Príncipe, salientou a relevância dos encontros para a rotina escolar. “Todos esses momentos de formação são importantes porque nos auxiliam no nosso dia a dia. Esses conhecimentos vêm somar para que, em sala de aula, tenhamos mais segurança para ensinar nossos alunos”, afirmou.
Do mesmo modo, a pedagoga Maria de Jesus, do Centro Infantil de Educação Infantil (CIEI) Anjo Gabriel, compartilhou sua experiência com as novas diretrizes pedagógicas da rede. “Esse momento está sendo de suma importância e estou gostando bastante de participar. O município já vem nos orientando que devemos trabalhar a consciência fonológica. Antes de começar a trabalhar aqui, eu nunca havia ouvido falar sobre esse conceito, então foi um desafio aprendê-lo. Ter essas formações é importantíssimo para conhecermos novas metodologias e podermos desenvolvê-las em sala de aula”, relatou.
Com essa rodada de capacitações, a administração municipal reafirma seu planejamento estratégico voltado à consolidação do letramento infantil e à valorização de seu corpo docente. A expectativa da pasta de Educação é que a aplicação dessas abordagens científicas resulte em um ambiente de aprendizagem mais dinâmico e eficiente para as crianças luverdenses.