BRASÍLIA – O gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou a realização de um depoimento do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, dentro de suas dependências. A oitiva ocorreu em caráter de urgência após o banqueiro relatar que vinha sofrendo graves intimidações e solicitar uma audiência imediata com o magistrado.
O procedimento contou com o acompanhamento presencial de um representante do Ministério Público (MP), mas não teve a participação de nenhum agente da Polícia Federal (PF). Mendonça, que atua como relator do processo de investigação envolvendo supostas fraudes na instituição financeira, defendeu a regularidade do método adotado para ouvir o empresário.
Em nota oficial divulgada por sua assessoria, o ministro ressaltou que a legislação exige a presença do Ministério Público em reuniões desse tipo, o que foi devidamente cumprido. “Quanto à Polícia Federal, as normas do Conselho Nacional de Justiça consagram, como garantia de incolumidade física e psicológica do depoente, o afastamento da equipe policial responsável pela investigação nos atos em que ele é ouvido”, justificou Mendonça.
A realização da audiência reservada foi inicialmente noticiada pelo jornal O Globo e, na sequência, confirmada pela equipe do ministro. Conforme os esclarecimentos prestados pelo gabinete, Vorcaro não fez qualquer menção ao ministro Alexandre de Moraes, também integrante da Suprema Corte, durante o depoimento em questão.
Recentemente, Mendonça retirou o sigilo de investigações conduzidas pela PF que revelaram diálogos de Vorcaro e interlocutores com Alexandre de Moraes. As mensagens foram obtidas por meio da quebra de sigilo telefônico do ex-banqueiro no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras no Banco Master. Em um dos textos, datado de novembro de 2025, o empresário afirmava que buscava se antecipar aos investigadores.
O desdobramento gerou forte reação da Procuradoria-Geral da República (PGR). O procurador-geral Paulo Gonet defendeu a anulação das apurações da PF, argumentando que Mendonça promoveu uma investigação irregular sobre Moraes ao aprofundar as buscas no caso do Banco Master sem obter a prévia autorização do plenário do STF.