Estudo analisa 12 candidaturas à Presidência da República
Um levantamento inédito realizado pelo Instituto Update avaliou os planos de governo de 12 candidaturas à Presidência da República, revelando que, embora pautas voltadas às mulheres estejam presentes, elas carecem de detalhamento estrutural. A análise focou exclusivamente em propostas que mencionam explicitamente o público feminino, deixando de lado políticas universais que não fazem esse recorte específico.
Segundo o estudo, a violência contra a mulher é o tema com maior adesão, aparecendo em 75% dos planos analisados. As estratégias variam desde o fortalecimento de redes de proteção e casas-abrigo até o endurecimento de penas e uso de monitoramento eletrônico. Contudo, o instituto ressalta que os programas ainda falham ao não abordar a insegurança que limita a mobilidade urbana e o uso dos espaços públicos pelas mulheres.
A autonomia econômica também figura em mais da metade das propostas (58%), abrangendo desde o incentivo ao empreendedorismo até a defesa da igualdade salarial. Apesar da convergência temática, há uma disputa ideológica sobre os caminhos para alcançar essa independência, variando entre o foco em políticas públicas de proteção social e o estímulo ao crédito e à educação financeira.
Um dos pontos mais críticos revelados pela pesquisa é a baixa representatividade feminina nos espaços de poder. Apenas um candidato apresentou estratégias concretas para o combate à violência política de gênero e a formação de lideranças. Esse cenário contrasta com o desejo do eleitorado, já que 72% das entrevistadas em levantamentos anteriores defendem o aumento da representação política feminina.
O relatório aponta ainda que o cuidado é frequentemente associado à maternidade ou à infraestrutura pública para liberar tempo das mulheres. Para o Instituto Update, a falta de metas claras, instrumentos de implementação e articulação com políticas já existentes torna muitas das promessas superficiais, tratando a mulher mais como destinatária passiva do que como participante ativa das decisões políticas.
Com informações da Agência Brasil.