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Brasil & Mundo

Portugal implementa procedimento inédito para regularizar pessoas apátridas

Nova legislação permite solicitar estatuto oficialmente

Portugal implementa procedimento inédito para regularizar pessoas apátridas
Com informações da ONU News

Portugal iniciou, neste mês de setembro, um marco importante para a proteção dos direitos humanos ao implementar um procedimento oficial para a determinação do estatuto de apátrida. A medida permite que indivíduos sem nacionalidade reconhecida por qualquer Estado solicitem o reconhecimento legal junto às autoridades portuguesas, garantindo acesso a direitos fundamentais que antes eram inalcançáveis.

O processo, classificado como urgente e gratuito, oferece aos requerentes uma autorização de residência provisória válida por seis meses, renovável até a conclusão da análise do pedido. A iniciativa é vista como uma resposta direta à Convenção de 1961 sobre a Redução da Apatridia, que completa 65 anos de vigência, reforçando o compromisso do país com a inclusão social.

A história de Jasmin Ahmetovic, de 41 anos, ilustra a complexidade dessa condição. Nascido na Itália, filho de pais bósnios, Jasmin nunca foi registrado em nenhum dos dois países, vivendo décadas à margem da sociedade. Sem documentos, ele enfrentou barreiras severas, como a impossibilidade de abrir contas bancárias, trabalhar formalmente ou até mesmo realizar tarefas cotidianas, como retirar encomendas.

A trajetória de Jasmin, marcada pela ausência de escolaridade e pela sobrevivência em condições precárias, reflete o impacto devastador da falta de identidade jurídica. Após enfrentar privações extremas e envolvimento com o crime organizado em momentos de vulnerabilidade, ele encontrou em Portugal uma oportunidade de recomeço, embora a ausência de um documento oficial ainda limite sua plena integração.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) classificou a nova legislação portuguesa como um avanço histórico. A agência destaca que a medida não apenas fortalece a proteção jurídica dentro do território nacional, mas também serve como um modelo positivo para o combate à apatridia em toda a União Europeia.

Dados dos Censos de 2021 indicam que pelo menos 149 residentes em Portugal se declararam apátridas. Com a nova lei, o governo espera mitigar a exclusão social enfrentada por essas pessoas, permitindo que cidadãos em situação de invisibilidade administrativa possam, finalmente, exercer sua cidadania e dignidade humana.