Equipes de resgate no Nepal intensificaram, nesta segunda-feira (31), as operações para localizar centenas de pessoas soterradas em túneis de projetos hidrelétricos. A tragédia foi desencadeada por uma enxurrada de gelo, lama e detritos provocada pelo colapso de uma geleira na região do Himalaia, afetando severamente o território nepalês e áreas da fronteira com o Tibete, na China.
Dados oficiais apontam para um cenário devastador: mais de 900 mortes confirmadas e cerca de 4,2 mil pessoas ainda desaparecidas. O foco das autoridades nepalesas está concentrado nos distritos de Rasuwa e Nuwakot, onde se estima que 933 trabalhadores permaneçam confinados em 11 instalações hidrelétricas que foram atingidas pela força das águas.
O Exército do Nepal, com o suporte técnico de especialistas da Índia e da China, utiliza explosões controladas, escavadeiras e holofotes para remover a densa camada de detritos que bloqueia o acesso aos túneis. A operação enfrenta desafios constantes devido ao clima instável e ao risco iminente de novas inundações causadas pelo transbordamento de um lago formado na região fronteiriça.
Devido à rápida decomposição dos corpos sob o clima úmido, muitas vítimas foram sepultadas em valas rasas. O primeiro-ministro Balendra Shah classificou o evento como um desastre natural sem precedentes, ressaltando a dificuldade de mensurar a extensão total dos danos causados às infraestruturas do país.
A crise também atingiu cidadãos estrangeiros, com centenas de desaparecidos registrados no lado chinês da fronteira. Embora o governo nepalês tenha declinado ajuda externa para as operações gerais, a colaboração regional tem sido fundamental para a expertise técnica necessária em resgates subterrâneos complexos.
O desastre é apontado por autoridades chinesas como uma consequência direta das mudanças climáticas. O governo nepalês, que investe pesadamente na exploração de seus recursos hídricos para suprir a demanda energética interna e exportar eletricidade, agora enfrenta o desafio de lidar com a vulnerabilidade de suas obras de engenharia frente a eventos climáticos extremos.