☀️ Cuiabá, MT 32°C Edição Digital
ASSINAR AGORA
Política

Senado aprova incentivos fiscais para instalação de data centers no Brasil

Proposta aguarda sanção após zerar impostos de insumos

Senado aprova incentivos fiscais para instalação de data centers no Brasil
Foto: Agência Brasil

O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (1º), o Projeto de Lei 278/2026, que estabelece um novo marco tributário para atrair a instalação de data centers no território brasileiro. A medida, que já havia passado pelo crivo da Câmara dos Deputados, segue agora para a sanção do Poder Executivo.

A nova legislação substitui a Medida Provisória que instituiu o Redata, a qual perdeu sua vigência em fevereiro deste ano. O relator da matéria, senador Cid Gomes (PDT-CE), destacou que o texto visa desonerar impostos federais sobre a importação de componentes tecnológicos essenciais para o funcionamento dessas centrais de dados.

Em contrapartida aos benefícios fiscais, as empresas deverão cumprir rigorosas exigências ambientais. O projeto estipula a obrigatoriedade do uso de energia limpa ou renovável e estabelece um teto para o consumo de água no resfriamento dos equipamentos, fixado em 0,05 litro/kWh.

Além das metas ecológicas, o governo impôs contrapartidas econômicas para as companhias beneficiadas. Entre elas, a necessidade de realizar investimentos locais equivalentes a 2% do valor dos produtos adquiridos com a isenção tributária, além de destinar 10% da capacidade de processamento ao mercado nacional.

Estimativas oficiais apontam que a renúncia fiscal deve alcançar R$ 5,2 bilhões no primeiro ano de vigência, com impacto de R$ 1 bilhão em cada um dos dois anos subsequentes. Os recursos são vistos como fundamentais para sustentar o avanço de sistemas de inteligência artificial e o armazenamento em nuvem.

Apesar da aprovação, o projeto enfrenta resistência de setores da sociedade civil. Entidades criticam a falta de debate profundo sobre o tema e argumentam que a simples instalação de servidores não garante a soberania digital, que, segundo elas, "envolve capacidades tecnológicas e científicas nacionais, segurança e governança de dados, autonomia energética e proteção dos recursos naturais”.