Pensar que a paciência do várzea-grandense é infinita como a colheita da soja é um erro crasso, mas a UPA do Cristo Rei resolveu testar os limites do impossível. Na tribuna da Câmara Municipal de Várzea Grande, sobrou para o vereador Alessandro o ingrato papel de relatar o que parece roteiro de filme de terror, mas é só o cotidiano da saúde pública local: uma moradora encarou seis horas de um torturante chá de cadeira para conseguir atendimento médico.
Como desgraça pouca é bobagem, a longa espera da última sexta-feira ganhou um acompanhamento visual indigesto. Um vídeo enviado ao gabinete do parlamentar — que preside a CCJ e atua na Comissão de Saúde — revelou a bizarra presença de larvas na recepção da unidade. O que deveria ser um ambiente limpo de cura acabou se revelando um ecossistema próprio, quase um Pantanal de asfalto, só que sem o menor charme.
Agora, o deve-se cobrar providências imediatas do Poder Executivo para fazer uma limpeza urgente na área. Afinal, se a moda pega, daqui a pouco vão sugerir que a população se distraia observando a fauna local enquanto o relógio corre sem pressa. Quem aguenta o calor da região com esse tipo de recepção merece, no mínimo, um troféu de resistência.