Enquanto a poeira vermelha levanta na rodovia e o calor de rachar convida para um tereré trincando, lá em Brasília a preocupação é outra: etiquetar o mapa de Mato Grosso. O deputado José Medeiros resolveu que a burocracia oficial precisa chancelar o óbvio e apresentou na Câmara dos Deputados o projeto de lei 5234/2026 para condecorar Campo Novo do Parecis como a Capital Brasileira do Etnoturismo.
A proposta quer criar um crachá de luxo para a Região Turística das Nascentes, promovendo a cultura das populações tradicionais e indígenas locais. É a velha mania do parlamento de colocar moldura em quadro que já brilha sozinho. Afinal, a exuberância das cachoeiras e a riqueza do patrimônio cultural da região nunca precisaram de autorização de gabinete para impressionar os visitantes.
Se a moda de patentear orgulho regional pegar, logo teremos projeto para regulamentar o peixe na brasa ou a brisa da Chapada. Resta saber se o turista vai preferir admirar a beleza do Parecis ao vivo ou ler o Diário Oficial na beira do rio.