Se há uma coisa que o mato-grossense entende tão bem quanto o calor de rachar mamona, é de sala de espera de hospital. Pois a CPI da Saúde, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, resolveu aplicar esse mesmo tratamento ao ex-secretário Gilberto Figueiredo. O depoimento dele, que estava previsto para esta semana, ganhou um belo chá de cadeira e foi empurrado para o dia 2 de setembro. Afinal, por que pressa se o tereré está gelado e o tempo corre manso feito o Rio Paraguai em dia de calmaria?
Enquanto o ex-secretário não chega para a consulta parlamentar, os deputados se trancaram a sete chaves para ouvir quem já estava na fila. A ex-secretária adjunta de Gestão Hospitalar, Carolina Campos, encarou o termômetro dos deputados na condição de investigada, sob o mais absoluto sigilo. Logo depois, direto de Cáceres, o ex-diretor do hospital regional, Onair Azevedo Nogueira, deu o seu testemunho por videoconferência, provando que até na hora de prestar contas a tecnologia ajuda a evitar a fadiga do asfalto quente.
Entre portas fechadas e telas de computador, a comissão segue desnovelando os contratos da pandemia com a paciência de quem limpa peixe espinhoso na beira do rio. Resta saber se, em setembro, o diagnóstico final vai exigir remédio amargo ou se tudo vai terminar em uma receita de bolo bem fofinho.